27.10.03


posted by FABIO R |
12:41
PROBLEMATIZAÇÃO
TEXTO: HANSON, Norwood Russel ¿ ¿Observação e Interpretação¿
Quem vê forma vê conteúdo, não se separa um do outro e, com lucidez, Hanson destaca que não se separa o ver do interpretar. Nossa cultura, aquilo que sabemos, nossas convicções e experiências filtram nossa visão do mundo. Dois homens podem não enxergar uma mesma situação da mesma maneira ¿ e eis a grande diferença do humano para o animal. O conceito (e as diferentes palavras e os diferentes usos metafóricos de cada cultura) que identificam o objeto ¿caixa¿ (invenção do homem que jamais poderia ter sido ¿depreendida¿ da natureza, ao contrário do objeto ¿bola¿) só podem ser pensados e ¿vistos¿ pelo animal homem.
Como quase tudo para o ser humano, observar também requer aprendizado. E quanto mais se estuda mais sofisticada (no sentido de dar atenção para detalhes, ver semelhanças e diferenças) fica esta visão. Uma criança, ouvindo, capta sons e ruídos ¿ Mas não só: ela absorve, sobretudo, estruturas (formas de comunicação). Mesmo que ninguém se digne a ensina-la (de forma sistemática, dando-lhe atenção, fazendo testes) ela irá aprender a falar. A escrita, uma forma de ¿visão¿ um tanto mais sofisticada (porque mais abstrata) e mais exigente (na maneira como geralmente é ensinada para nativos exige um certo conhecimento da língua falada), raramente é aprendida sem o suporte de um mestre. Basicamente dois ¿motivos¿ moveram este aluno de fala e escrita: vontade de se comunicar, vontade de entender.
É para entender cada vez mais que surgiram os estudos científicos, para comunicar a forma como são feitos estes estudos (imagino) é que existe a universidade ¿ para que constantemente surjam novos cientistas, novos profissionais que mantenham o conhecimento vivo e criem o novo (seja para o bem da humanidade, seja para o fomento do comércio, que sustenta uma sociedade de classes). Mas isto não vale só para os estudos avançados das faculdades ¿ desde da mais tenra idade (até antes de ser exposto à escola) o jovem deve absorver os saberes da humanidade e desenvolver formas próprias de pensar, julgar, ter vontade e opinião. Cada pessoa aprende a ser ela mesma.
Pensando com Hanson, a escola deve fornecer conteúdos e direcionar o pensamento dos jovens para a independência, o respeito à diferença, o amor ao saber (se possível, independente do uso econômico imediato deste saber). Para que este trabalho seja eficiente creio que é vital passar para o aluno a noção clara de que existe infinitas formas de se ver o mundo ¿ mesmo os animais têm sua forma de ver, e como habitantes deste planeta também merecem o nosso respeito. A grande diferença, que separa o homem do animal, é que cada ser humano é condicionado tanto por suas experiências pessoais quanto por sua cultura. Respeitar toda cultura e toda opinião divergente, tentar entende-las enquanto posse do outro (e não algo ¿estranho¿) e fazer-lhes frente, caso seja recomendável para o bem comum do contato humano, através de argumentos compreensíveis pelo outro ¿ eis um desafio interessante, que me parece um meio (e um fim) a ser alcançado pelo aparelho escolar.
Imagens: cubo de necker 1 e 2; perfil e taça, ver site http://www.ufrgs.br/faced/slomp/edu01135/figuras.htm
posted by FABIO R |
12:37
25.10.03
Comments:
posted by FABIO R |
21:44
Antes da prova de ESTUDOS DA EDUCAÇÃO a sala travou um interessante debate que parece (& é) estremamente relevante para a disciplina = a distinção cultura / natureza. Esta separação que tanto mal faz para o mundo, isto porque, apesar de fruto da natureza, a obra do homem não se confunde (e quase sempre não é tolerante com) a natureza. Parte da classe, formada por alunos de BIOLÓGICAS não admitia este separação e deram exemplos de como animais pensam e podem aprender. Em tempo, o texto de base era de Michael Oakeshott que, entre outras coisas, afirma que animais não aprendem (são adestrados e não podem ensinar o que treinaram para seus semelhantes, como ocorre com o homem).
Até consigo entender a dificuldade dos estudantes de BIOLÓGICAS em separar cultura de natureza. Não tanto com a opinião (correta, aliás) de meus colegas de HUMANAS, que observaram a deficiência dos estudos humanos nas áreas de exatas e biológicas (nem mesmo ética e análise/escritura de textos são tratados de forma aprofundada, mas o inverso também é verdadeiro na área de humanas, falta estudos lógicos, fora da filosofia, e técnicas para produção de textos cientificos nas humans) > Mas a grande questão é que, para o ser humano, a própria natureza é vista enquanto cultura. Temos séculos de véus e conceitos humanóides iludindo nossa percepção do universo. Não digo nada de novo. Para a natureza não existe árvore, pedra, homem, vida, morte - Tudo esta integrado e UNO, em constante ciclo - transformação. São palavras (e idéis que puxam idéias - analogias. Trata-se de uma percepção particular (e diferente da que possui qualquer outra criatura deste mundo, quiça do outro também) da espécie humana. Pensar a natureza sobre um prisma humano, prosopopeiar os animais ou achar que é justo o domínio da natureza pelo homem é o grande pecado que esta provocando a destruição de tanta beleza - Mas pensar o contrário, que o homem é pura natureza e a ela esta completamente sugeito (em igualdade com os outros animais) e se iludir duplamente - e ficar-se cego para ver as maneiras possíveis de ensinar esta jovem espécie a ser, digamos, mais humana.
ekala@zipmail.com.br
posted by FABIO R |
21:01
18.10.03
Este texto, digitado 12 de outubro de 2003, foi escrito no dia 08, quando manifestou-se a premonição .
Tive hoje a experiência singular de ver o futuro. Ou mais corretamente: ver realizar uma visão que tive. Sonhei na noite de ontem que estava passeando com meu amigo Rogério. Viajávamos de trem. Em determinado instante andávamos por uma plataforma rústica, na verdade um gigantesco e estreito banco de madeira (que parecia ser a extensão de uma plataforma simples e igualmente estreita, de concreto), esta plataforma improvisada seguia até a entrada do túnel da linha de trem.
Por um acaso o banco (plataforma) virou, e caímos no chão de pedras (muito baixo, não nos machucamos), no mesmo instante saiu do túnel uma espécie de trator, com pneus comuns, que saindo da linha de trem (obviamente para não ser pego pelo trem) passou muito próximo de mim, por cima do banco-plataforma.
Não veio rápido, mas como era um sonho não me preocupei em fugir desesperadamente, apenas me virei de lado deixando passar o trator.
Logo depois, não lembro como, já estávamos dentro de um trem (dentro do túnel, talvez um metro) ¿ Já não aparece meu colega (mas não tenho certeza) e encontro a Coordenadora Pedagógica Cristiane. Aviso-as que iremos encontrar um grupo na próxima estação.
Aí vem o mais interessante desta estória, aqui agora tão surreal. O trem parou no lado inverso da estação, com pelo menos uma outra linha e largo espaço vazio de distância. Estava ocorrendo algum problema. As pessoas tiveram que pular a estação e andar pela linha para entrarem (escalando) nos vagões. Em determinado momento o trem deu sinal e as portas se fecharam. Mas uma mulher, que parecia estar cheia de bagagens, ainda nem havia pulado da estação... Os homens que estavam segurando a porta ¿vacilaram¿ e a senhora ficou para trás. No mesmo instante um homem começou a bater neles, furioso, por terem deixado a senhora na estação. Talvez a esposa?
Parece que as conseqüências seriam terríveis. Ou não? Acordei.
Estranhei o sonho e o bom que lembro dele (fato raro), mas achei mera coincidência que, hoje cedo, ao subir a ladeira que leva à rua Matia, caminho da escola que enfrento com fôlego todo santo dia, dei de cara com a Cristiane, descendo com a turma da professora Solange para vista ao Projeto Casulo. Bom dia. Estão fugindo da escola? Bom dia Fábio.
O dia transcorreu no normal. À noite, após árdua corrida ao sair da aula de outra Cristiane (professora de Introdução aos Estudos de Educação, onde discutimos questões pertinentes da área pedagógica, hoje foi Michael Oakeshott e Wittgenstein), consegui pegar o trem das 22:50 para Osasco.
Antes da estão Pres. Altino (onde desço) a composição parou ao lado de outro trem, o horário anterior que estava parado ¿ e logo a luz do outro trem apagou, gerando leve agitação em seus ocupantes (todo mundo lembre de Perus) e depois as portas se abriram.
Já ocorreu algo parecido comigo (e outros que se manifestaram no trem) ¿ foi preciso fazer a baldeação de passageiros na linha.
Mas, tal como no sonho, havia uma senhora cheia de bagagens. & uma das portas, após ser aberta, voltar a fechar, gerando leve desespero. No geral, apareceram alguns heróis, que chegaram a descer do nosso trem para ajudar na mudança. Tudo ocorreu em ordem, apesar da distância (e para piorar, havia um desnível grande entre uma linha e outra) ninguém caiu ou se machucou, um camelô passou de vagão em vagão conferindo se havia ficado alguém para trás.
Ajudei pouco, tomando cuidado com a porta (havia gente gritando, cuidado para a porta não fechar! E o próprio maquinista estava olhando tudo, mas já o que me movia era a lembrança do sonho).
E então ¿ o que vocês acham?
- Aguardo retorno e espero em breve publicar minha interpretação deste estranho fato.
ekala@zipmail.com.br
posted by FABIO R |
21:35
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