28.8.04
BLACK MAGIC WOMAN
¿Got me so blind I can't see
But she's a black magic woman
And she's tryin' to make a devil out of me¿
(Peter Green )
Quero sua magia negra
mulher negra
O lustro ¿ o macio ¿ o cheiro
Te fazer suar
Sua presença preenche
meu desejo inteiro
Na cor preta se aperta
todas as cores
Mas você, mulher negra
Recupera a delícia de todas as mulheres
que toquei
Seu sorriso mais luz
dentes perfeitos
Me mordendo ¿ me excitando
Até o sem-limite
E quando eu te morder também...
Ah, mulher negra
Seu sabor é melhor que café
Forte e Bom.
Gostosa.
28/08/04 - frn
Dia 26 fez 3 anos da passagem de meu pai. dia 23 ele faria 56 anos. o mes de agosto me traz tantas lembranças... meu pai, o signo do leão, luis gonzaga, getulio vargas, raul seixas...
meu pai.
segue uma imagem bem pouco visível (é que não tenho scanner), mas serve como homenagem.
posted by FABIO R |
19:30
24.8.04
site interessante que descobri, para quem ama a língua portuguesa
imagem "paisagem" feita no paint, não sei quem é o autor
segue o texto que me prometi escrever a tempos:
USO LIVRE, BUROCRACIA ABERTA E AUTO-GOVERNO
Cap. alef אּ ( O símbolo usado pela Anarquia, um ¿A¿ estilizado, é na verdade a 1ª letra do antigo alfabeto hebraico, depois substituído pelo alfabeto aramaico, uma outra língua semítica conhecida pelos hebreus)
O repensar do conceito Anarquia. Como a palavra está sendo a muito tempo atacada pela ideologia capitalista-burguesa, freqüentemente confundida com ¿bagunça¿, costumo usar o termo ¿Acracia¿, que significa exatamente a mesma coisa: auto-governo, governo de si mesmo, organização interna (do grupo) sem hierarquia e sem submissão. Sobre o conceito ¿Uso Livre¿ chamo a atenção para o texto ¿Filosofia Linux¿, de Marcelo Barbão e, um pouco a partir deste texto e das idéias do Anarquista Bakunin, começo aqui a discutir um novo conceito que pode favorecer a Acracia / auto-governo: a Burocracia Aberta.
Por Burocracia Aberta entendo um exarcebamento até o máximo grau da idéia de Democracia (¿o governo do povo, pelo povo, para o povo¿ dizia Abraham Lincoln ; ¿o melhor governo é o que governa menos¿, diziam Thoreau e Gandhi), mas indo contra as idéias mercadológicas do pensamento liberal. Não se trata de liberdade para o ¿comprar¿ e o ¿vender¿, nem de ¿direitos do consumidor¿, mas a busca da plena cidadania.
Cidadania. As palavras têm poder. Quando são agraciadas com tanta beleza como ¿cidadania¿, ¿igualdade¿, ¿liberdade¿, ¿direitos¿, são ainda mais poderosas e, por isso mesmo, perigosas. Iludem. Ocultam. Mentem. Porque as palavras, ninguém é capaz de proibir, são usadas por pessoas com interesses pouco nobres ou, mesmo quando cheias de boas intenções, com uma percepção limitada e maniqueista da realidade ¿ pessoas que, buscando o melhor para essa coisa indefinida a que chamamos ¿sociedade¿, mais prejudicam do que favorecem. O preconceito, a parcialidade, a incapacidade de enxergar além da própria consciência de gênero, classe ou raça / etnia e (ou pior) a ausência / negação desta consciência... tudo atrapalha o julgamento e a ação daqueles que assumem sua posição como agentes na sociedade ¿ Aliás, é bom não esquecer, todos nós somos agentes sociais, quer queiramos ou não. O ser humano é um animal político.
Quando o anarquista Mikhail A. Bakunin (1814-1876) propôs a destruição do Estado, por não ser outra coisa que a opressão e exploração do povo por uma pequena elite econômica ¿ que nega a liberdade individual em prol de uma fictícia liberdade coletiva, imaginou a reconstrução da sociedade de baixo para cima, através dos sindicatos e associações livres de trabalhadores agrícolas e operários, que se organizariam em federações e comunas por região, depois por nação e finalmente a nível global (federação universal). Ele chamou este sistema de ¿coletivismo¿, levando além a idéia do ¿mutalismo¿ de seu mestre Proudhon.
É evidente, o capitalismo é o sistema econômico mais flexível, mutante e reificante jamais imaginado ¿ assim hoje parece não fazer mais sentido a organização sindical, devido à posição totalmente secundária do setor industrial / agrícola. O mercado é muito mais financeiro do que ¿concreto¿. Os produtos reais são negociados como ¿commodity¿ virtuais, ¿ações¿, previsões, números aprisionados dentro de computadores em rede, o chamado ¿emprego formal¿ parece fadado a desaparecer. O poder está na informação e nos recursos para manipular informação.
Vale hoje, ainda, a triste conclusão de Bakunin: ¿Como se pode esperar que o povo, oprimido pelo trabalho e ignorante da maioria dos problemas, supervisione as ações de seus representes?¿, ¿O povo não tem tempo livre ou educação necessária para se ocupar do governo¿ (in: A Ilusão do Sufrágio Universal). A escola, onde o individuo poderia se educar, faz pouco mais do que reproduzir o status quo social; e a imprensa, que deveria ¿representar¿ o povo na fiscalização do poder, é muitas vezes submissa aos ditames do mercado ou limitada por sua própria situação de classe (quem são os jornalistas e gerentes dos equipamentos de mídia? Raramente são os pobres, oprimidos ou marginalizados).
Estou entrando numa teia complexa. Não por acaso este pensamento assusta. Mas... tenhamos paciência. Não vamos, agora, negar o Estado e a Propriedade ou pregar a destruição total. Vamos devagar. É possível repensar a maneira como a sociedade se relaciona com o governo. A maneira como o Estado representa e governa o povo. A isto eu estou chamando Burocracia Aberta.
O sistema de governo Republicano / Democrático, que é o nosso, mais ou menos já se apropriou desse discurso, vagamente chamado de ¿esquerda¿, ¿social¿ ou ¿social-democrata¿. Cito como exemplo o Projeto Orçamento Participativo, onde a população do bairro / região faz propostas e votações para determinar onde será gasto uma parte dos recursos do município. Lembro: esta ¿parte¿ é geralmente bem pequena em relação à arrecadação e acho um tanto duvidosa a maneira como a sociedade está sendo chamada e sendo organizada (pelo próprio Poder Público) para gerir estes recursos. Não é um efetivo ¿auto-governo¿ dividido por regiões, mas uma estratégia justamente para conter possíveis manifestações e solicitações por este poder de decisão.
Ainda assim, se a sociedade se organizar, pode inserir-se no governo e conquistar esse direito. A burocracia é uma necessidade de sociedades grandes como a nossa, um requisito para a organização eficiente. Mas não é preciso que a burocracia seja uma máquina de triturar humanidade. Esta ¿burro-cracia¿, porque feitas por pessoas sem visão e para ¿tornar¿ ignorante e submisso o povo, este tipo de opressão organizada e ocultação dos mecanismos de funcionamento do governo, eu chamo de Burocracia Fechada ¿ é o sistema da elite, que teme o poder e a liberdade de / por & para a maioria.
Voltamos ao texto de Marcelo Barbão. No final do seu artigo ele menciona a necessidade de se ¿abrir a caixa preta¿ (em suas palavras: ¿abrir o 'código-fonte¿) do Estado, propondo um ¿governo open-source¿, ¿sempre aberto, para que todas as pessoas possam conhecer e controlar suas decisões¿; é isto o que podemos entender: um governo aberto e construído para a promoção da liberdade e da igualdade, contra os interesses de minorias privilegiadas, contra a opressão, a guerra e a mercantilização ou reificação das relações humanas. Uma Burocracia Aberta.
Um exemplo? A situação dos bancos e do mercado financeiro. A necessidade de se repensar a cobrança de impostos, que castiga os que têm menos e privilegia os que têm mais, a proposta do ¿imposto sobre grandes fortunas¿ que não é levada adiante para favorecer uma divisão menos injusta da renda, o voto distrital misto, a abertura (real) das contas da previdência e de todos os órgãos públicos, uma aliança clara, transparente e livre entre governo legalmente eleito, iniciativa privada, associações de bairro e organizações não-governamentais (talvez estes dois sejam os melhores caminhos para se substituir ¿a vaga de poder de negociação¿ dos sindicatos).
O povo, nós todos, precisamos aprender como fazer isto ¿ organizarmo-nos e levarmos adiante a idéia máxima de democracia, discussão, fiscalização e participação popular; primeiro a nível local (o local de trabalho, o bairro, a escola, as associações / ong' s), depois pesquisando, entendendo e exigindo o funcionamento da legislação, se for o caso ¿ solicitando uma revisão da legislação, ensinando e aprendendo junto a força da movimentação coletiva, não para defender interesses individualistas e de pequenos seguimentos (grupos fechados), mas pelo bem geral do público (grupos abertos e integrados) e pela satisfação / liberdade individual de todos.
Já há muitos propondo isso. Alguns com pequenos sucesso. O trabalho é difícil ¿ requer que olhemos o mundo de uma nova maneira. Um outro prisma. Não mais esperar pelos outros, pelo ¿governo¿, pelo ¿mercado¿... Mas entrar dentro do sistema com uma postura ativa, transformadora. Isso pode ser o começo de uma revolução social. Mas, como sempre, começa no indivíduo.
Pretendo continuar esta discussão. Aceito colaborações, críticas e revisões. Contato: ekala@zipmail.com.br // se fosse o capitulo de um livro, este se chamaria Anarquia Vs. Caos, se outra pessoa quiser usar este título poderia ser Acracia Vs. Caos.
Fábio R. , 24 de agosto de 2004 / 50º aniversário da morte de Getúlio Vargas.
BIBLIOGRAFIA
Revista Linux Brasil, #1, ano 2003, editora Digerati (site: www.digerati.com.br). Ver principalmente Editorial e artigo por Marcelo BARBÃO: ¿Filosofia Linux¿. Contatos: mbarbao@digerati.com.br
BAKUNIN, Mikhail Alexandrovich ¿ textos originais, história e comentários consultáveis em:
www.aversaoaoestado.hpg.ig.com.br/bakunin.htm
http://www.culturabrasil.pro.br/bakunin.htm
http://www.ainfos.ca/pt/ainfos02280.html
http://www.pfilosofia.pop.com.br/03_filosofia/03_09_textos_anarquistas/textos_anarquistas_03.htm
http://www.sabotagem.net/livros/B/bakunin_por_bakunin_-_bakunin.pdf
CHARLOT, Bernard ¿ A mistificação pedagógica, RJ, Zahar, 1979.
COSTA, Caio Túlio ¿ O Que é Anarquismo, coleção Primeiros Passos, ed. Brasiliense, original de 1980, 15ª ed., 1996. (1ª referência que tive sobre Bakunin)
GALLO, Sílvio ¿ O Paradigma Anarquista em Educação, Artigo publicado em Nuances - Revista do Curso de Pedagogia, Presidente Prudente: FCT UNESP, nº 2, 1996, consultado em: http://www.nodo50.org/insurgentes/text
Outros links:
www.urfabio.blogger.com.br , blog de Fábio R. (eu!)
§
www.marcelobarbao.blogger.com.br
http://gardenal.org/barbao , continuação do blof anterior
§
http://www.alexandriavirtual.com.br/acervo/a/anatomia_ruido.pdf. ou http://www.google.com/search?q=cache:DhV_Y9lOaRkJ:www.alexandriavirtual.com.br/acervo/a/anatomia_ruido.pdf+filosofia+linux+por+marcelo+barb%C3%A3o&hl=pt-BR&lr=lang_pt
com interessantes textos de Marcelo Bolshaw Gomes, sobre a chamada Cibercultura
http://www.farmaciadepensamentos.com/pautort02.htm com algumas citações interesantes
§
http://resenhas.com/resenhas/ver.asp?id=507&auth=38200& , com texto O que é a democracia? de Máriton Silva Lima ( Constitucionalista, filósofo, professor de português e de latim) - ver o link que abre este post (acima)
posted by FABIO R |
19:41
22.8.04
tive (estou tendo) alguns problemas com a edição do meu blog. por isso o "post" dublê, abaixo. não sei porque, não estou conseguindo deletar aquele que contêm erros.
tinha mais o que contar, mas estou morrendo de preguiça. deixo a figura que eu quis colocar no post do dia 20/08:

posted by FABIO R |
14:32
20.8.04
enquanto terminou os trabalhos de licenciatura, ando pensando num texto que ainda escrevei sobre USO LIVRE, BUROCRACIA ABERTA E AUTO-GOVERNO. em termos de música, voltei a ouvir living colour e estou descobrindo earth, wind & fire (sobre este, recomendo o link abaixo)
clique aqui para visitar site do E W & F feito por Othon Campos
posted by FABIO R |
18:40
8.8.04
enquanto termino os trabalhos de licenciatura, ando pensando num texto que ainda escreverei sobre USO LIVRE, BUROCRACIA ABERTA E AUTO-GOVERNO. em termos de música, voltei a ouvir living colour e estou descobrindo earth, wind & fire (sobre este, recomendo o link abaixo)
clique aqui para visitar site do E W & F feito por Othon Campos
observe esta arte. achei jogada na secretaria de escola onde trabalho. não sei quem é o autor, nem qual a sua idade (provavelmente menos de 14 anos) - mas como me impressionou. parece um encontro do expressionista munch com o terror sobrenatural dos filmes "pânico", mas representando uma violência bem real, presente: a arma. observe o tipo do traço, feito com lápis preto comum. a arma está destacada por um círculo, a violência não tem um autor definido (a arma flutua), a bala está quase atingindo a vitima (abaixo do olho direito), uma das pessoas para quem mostrei o desenho disse que parecia uma mulher chorando, mas o sexo não está definido. tudo é vago, exceto o desespero - a dor - a violência.
Recomendo exposição de Rosana Palazyan no Bando do Brasil (rua da quitanda, centro de São Paulo), é justamente este tipo de violência que ela investiga e mostra com requinte "publicitário". seria um novo caminho para a arte? outra boa referencia é a arte panfletária de Barbara Kruger.
posted by FABIO R |
20:15
reflexão "EDUCAÇÃO EDUCAÇÃO SUPLETIVA NOTURNA PARA JOVENS E ADULTOS" para curso de politica educacional com professora Claudia. participei de ótima aula / debate com ela e a professora Rosangela, onde foi discutida a greve da usp (motivos e resultados).
rosangela comentou: "o que eu seria se não tivesse frequentado a escola? não é apenas ler e escrever, minha visão de mundo, a maneira como me relaciono com as pessoas... seria outra pessoa"
redigido entre Julho e agosto de 2004:
O problema do EJA (Educação de Jovens e Adultos), ministrada nas escolas públicas exclusivamente à noite, não é apenas a alfabetização, mas a formação. Nas séries iniciais, os chamados 1º, 2º, 3º e 4º Termos do Nível 1 (cursos semestrais, equivalentes a 1ª até 4ª série) sobram vagas, até porque os alfabetizandos são atendidos também por Ong's, Igrejas e salas experimentais dentro de empresas.
Conheci uma professora que diz conseguir alfabetizar um aluno em 1 mês. Eu não duvido, ela realmente é conhecida por seu empenho. Mas podemos perguntar, e depois?
Grande parte das solicitações de matriculas são para o 1º Termo do Nível II (5ª série), o que mostra o desejo deste segmento em terminal o ensino Fundamental. A princípio, e para a maioria, o grande interesse é o diploma, já que o mercado de trabalho usa como critério de pré-exclusão a escolaridade devido à grande reserva de mão de obra ociosa. Mas não é só isto o que os alunos buscam e precisam receber.
Pego exemplo de uma aluna do CEU PERUS, onde fiz estágio de observação e regência, que chamarei de Senhora. Tem 50 anos, trabalha como coletora de materiais recicláveis e todo dia comparece à escola onde frequenta a 7ª série suplência. Numa aula de português os alunos foram solicitados a responder questões de interpretação de texto sobre o poema ¿bicho homem¿ de Manuel Bandeira. A última questão era uma redação com o relato de uma experiência semelhante à contada pelo poeta. Como estava com vergonha, o professor leu (interpretando) o texto da Senhora que escreveu ter visto, quando era jovem, um homem nu e peludo que estava atacando a todos com um pedaço de pau, ela conta: ¿eu mesma levei uma carreira dele¿.
Os risos foram gerais na sala de aula, mas o professor preferiu comentar o uso do léxico, dizendo que a linguagem regional era muito importante, precisava ser respeitada e fez uma pergunta retórica: ¿acho que a maioria aqui veio de lá¿.
Numa reunião de professores que assisti, em que a Coordenadora Pedagógica passou os critérios para aplicação das provas de reclassificação (em que alunos podem passar para séries mais adiantadas), um professor de geografia observou que muitos alunos precisariam ser classificados para séries anteriores, ¿teriam mais resultado numa 4ª série, por exemplo¿, e citou como exemplo a Senhora. A Coordenadora, que conhece pouco sobre os alunos, não pode reagir, apenas destacou que muitos destes alunos de mais idade, como a Senhora, têm a escola como ¿espaço social¿ ou, ¿é tudo o que eles têm, pode ver que faça frio ou inundação eles tão aí pra assistir aula¿.
Destaco que Senhora não é uma aluna ¿defasada¿, como julga o professor de geografia. Ela tem dificuldades, naturais para sua idade, sua condição e, na verdade, comuns até entre jovens que estudam à tarde. Mas observo que ela já é capaz de transformar um relato oral em texto escrito preservando estilo pessoal de ¿conversa¿.
O que falta é justamente encontrar meios de, a partir disto que ela já tem (e julgo ser muito) ensinar-lhe a apropriar-se das normas de escrita padrão sem, no entanto, perder a capacidade de escrever um texto (e diria até mais, ¿agir¿, ¿pensar¿) tão diferente do comum, como o citado acima. Senhora não faz nada com ¿pressa¿, sendo por isso resistente a qualquer solicitação de ¿urgência¿, isso não me pareceu bem compreendido por alguns educadores mas,sendo percebido assim, poderia virar uma qualidade. A escola não tem uma política para receber a cultura do aluno de uma maneira digna e nem parece estar cumprindo a contento a transmissão dos conhecimentos considerados de prestígio pela sociedade e pelo mercado. E, no entanto, aqueles que conseguem manter um número aceitável de faltas estão terminando seus cursos e tirando seus diplomas.
Quantos são estes que chegam ao final de tão dura batalha? Poucos. A porcentagem de evasão é assustadora no período noturno. Paola Gentile, citando dados divulgados pelo MEC, diz que apenas 30% dos alunos da suplência concluem o ensino fundamental (8ª série). E mesmo entre aqueles que conseguem continuar estudando, o número de faltas é muito grande, com certeza interferindo muito no processo educativo ¿ Não há nenhum tipo de trabalho para se evitar as faltas ou compensa-las com uma continuidade extra-sala dos estudos, inclusive lições de casa (essa coisa tão antiga) são raras, já que a maioria dos alunos trabalham e alegam não ter tempo para faze-las.
A sala de senhora tem 40 alunos, de acordo com a lista de chamada. Mas muitos alunos já estão excluídos por excesso de faltas. A média de frequência diária era de apenas 22 alunos, no momento em que faltava pouco mais de um mês para terminar o semestre e ser definido quem irá para a 8ª série.
Observando alunos da 8ª série suplência, onde o número de desistentes era menor (média de freqüência de 30 alunos), fui informado pelos professores que a maioria dos alunos estavam juntos desde a 5ª série, quando ainda estudavam numa Escola de Latinha, de onde algumas salas foram transferidas para o CEU. Todos conhecidos, muitos deles vizinhos, demonstravam grande ânimo, tratando a aula quase como uma ¿festa no dia¿, o que me pareceu muito positivo. Também grande parte dos professores permaneceram sendo os mesmos, o que permite uma avaliação mais completa. Algo para o qual uma verdadeira política educacional (e um projeto pedagógico) deverá dar o máximo de atenção.
Mesmo assim, percebi ser comum entre os alunos comentários depreciativos sobre si mesmos, coisas como ¿a gente só fala besteira¿ e equivalentes. Ou seja, ainda há um problema de identidade e auto-afirmação. Justamente o que o ¿mercado de trabalho¿ costuma pedir, pessoas confiantes e com iniciativa. Diria mais, é preciso ¿auto-afirmar-se¿ com muita força para ser capaz de exigir direitos numa sociedade como a nossa.
PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DE UMA ESCOLA DE PERIFERIA
DESTACANDO: O problema do ¿Anexo¿ e o atendimento do E.J.A.
Na região do CEU Perus há várias outras escolas. Para comparação observei a escola Jairo de Almeida, primeira inaugurada na favela Recanto dos Humildes, tendo iniciado seu funcionamento em 1998, criada pelo decreto 36.970 de 30/07/97 e autorizada pela portaria CEE 01/81 DE 06/04/81, D.O.M. 10/04/81. Sendo uma escola nova, que teve poucos diretores e pouca troca de funcionários, é bastante organizada. O último diretor passou 3 anos no cargo, que agora está vago devido a sua aposentadoria. O maior problema desta escola, que atende em sua maioria moradores da favela, é a grande demanda para os anos iniciais, principalmente a 1ª série.
Possui uma sala de leitura que foi doada pelo banco Itaú e continua sendo provida pela prefeitura, duas salas de informática com internet rápida, uma delas patrocinada pela Telefonica, 7 computadores para uso da secretaria, 14 salas de aula, sendo duas no térreo, duas rampas de acesso para entrar na escola e um elevador Schindler que está desativado por falta de acabamento e regulamentação. Além de precisar urgente de uma reforma, cuja verba já estaria autorizada e permitiria usar um amplo ¿espaço de convivência¿ no seu 3º piso como anfiteatro, essa escola tem mais 4 salas de aula atendendo 1ª`s séries em 3 de seus 4 turnos num prédio próximo alugado, que é chamado de ¿Anexo¿.
Este anexo teria sido uma solicitação da população local, que é relativamente bem organizada, mas está descontentando a todos devido a suas péssimas condições ¿ os banheiros não oferecem condições de uso, os alunos têm que se locomover até o prédio da escola (atravessando a rua) para tomarem a merenda e as salas são feitas com fórmica, sendo o ruído durante as aulas terrivelmente incomodo.
Julgo que este ¿Anexo¿ é um sintoma de quanto falta discutir política e pedagogia dentro (e fora) da escola. É óbvio que não houve uma boa discussão anterior com participação de todos os pais (ou a maioria), os professores e os representantes da prefeitura, na pessoa do subprefeito da região e seus secretários. Principalmente, não houve um planejamento adequado da prefeitura e da escola para receber esta demanda, que era totalmente previsível ¿ observo que as matrículas para 1ª série se iniciam no mês de agosto, e o ¿Anexo¿ iniciou seu funcionamento com grande atraso, no mês de abril deste ano.
No ¿Plano Escolar¿ da escola (redigido em 2000, 25 páginas), que segundo me informaram é apenas copiado a cada ano, sem qualquer revisão, para ser apresentado como ¿Projeto Político Pedagógico¿, o Conselho de Escola e a Associação de Pais e Mestres são citados como ¿Instituições auxiliares¿, cuja ¿autonomia em relação à tomada de decisões se exercerá nos limites da legislação em vigor¿ e deveriam ¿colaborar no aprimoramento do processo educacional, auxiliando a escola a atingir os seus objetivos, na assistência ao escolar e na integração escola-comunidade¿.
Entretanto, estas instituições não participaram, e até onde sei nunca foram convocadas com esta intenção, sequer de uma discussão sobre o que deveria conter e quais objetivos deveriam almejar um Projeto Político Pedagógico. Destaco que nesta escola o Conselho é bastante ativo, tanto pais quanto professores são muito ligados à articulações políticas e à Sociedade de Amigos do Bairro. Mas não têm subsídios e abertura para desenvolverem uma discussão política e pedagógica eficiente e objetiva.
Não por acaso, não aparece neste Plano Escolar qualquer comentário sobre a demanda de alunos, apesar de haver uma descrição da ¿clientela¿. Este trecho merece destaque, pois conta a origem do bairro, que começou em 1991 com um loteamento promovido pela prefeitura, mas invadido a partir de 1995. Demonstrando o bom entrosamento que essa escola estabelece com a comunidade, é dito que ¿A construção da nossa escola, deveu-se ao esforço da comunidade do Recanto dos Humildes, que preservou o terreno para que outras pessoas não se apossassem dele. (§) A escola para essa comunidade, representa a esperança de melhorias no lugar onde vivem¿
É destacado, por exemplo, o caracter migrante da população e quanto este bairro continua ¿em crescimento¿. Ou seja, a demanda, que não se resume ¿apenas¿ à 1ª série, é um problema que poderia ter sido previsto. Por não ter sido discutido antecipadamente com os poderes competentes é motivo para que hoje as crianças e seus professores sofram com o problema do ¿Anexo¿ e pais de alunos ainda estejam reclamando em busca de vagas.
Segundo Kramer (2000), um bom projeto pedagógico deve ter ¿compromisso com a democratização do acesso e permanência (e uma) política de distribuição e expansão de vagas¿, o que não precisa ficar restrito ao espaço físico da escola mas, com certeza, não faz sentido atender a demanda de maneira precária com ¿anexos¿ ou ¿latas¿ que não merecem o nome de ¿escola¿. Como solução provisória para este problema a Subprefeitura está propondo a transferência dos alunos para uma escola infantil recém inaugurada da região, mas ainda não há a garantia de transporte escolar gratuito para todos os alunos; possivelmente uma nova escola deverá ser construída no terreno ao lado do Jairo, onde hoje funciona um Posto de Saúde mas era antes uma Escola de Latinha para ensino infantil.
A suplência também não aparece no Plano Escolar. Aliás, da mesma forma que ocorre com a 1ª série regular, as matrículas não são realizadas diretamente pela escola, mas autorizadas pela Coordenadoria de Educação local. A princípio parece algo justo, por ser a garantia de que ao menos todos os que se cadastraram no prazo determinado terão sua vaga. Cerca de 220 pessoas se cadastraram nesta escola para estudar no 2º semestre; sendo 60 para as 4 séries do Nível I, 62 para a 5ª série, 42 para a 6ª, 29 para a 7ª e 27 para a 8ª. Mas não há a garantia de que o aluno será atendido na escola onde efetuou seu cadastro. Por exemplo, neste primeiro semestre não foi ministrado o curso de 8ª suplência nesta escola. Para alguns alunos é viável locomover-se até o CEU, escola mais próxima, para outros, pelo que apurei principalmente as mulheres, isto já é uma grande dificuldade.
Ao contrário do que se poderia imaginar, para o período noturno não chega a haver excesso de matrículas. Apenas por uma questão de restrição de gastos não são montadas salas para todas as séries suplência, sempre sobrando salas ociosas à noite ¿ Tanto que algumas escolas, como o colégio José de Alcântara, no Morumbi, também possuem ensino regular de nível II (5ª a 8ª) à noite; entretanto a Subprefeitura da região de Perus alega que falta professores para ministrarem aulas.
A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E A PROPOSTA DO C.E.U.
Realizei estágio de observação e regência no CEU PERUS, tanto no período da tarde quanto à noite, sendo este horário reservado exclusivamente para a Suplência. Esta unidade foi inaugurada em agosto de 2003, usando salas ¿transplantadas¿ de escolas da região, principalmente de uma ¿Escola de Latinha¿, mas este ano recebeu turmas novas, formadas pela demanda de escolas do bairro. Não há nenhuma diferença de qualidade dos alunos e das metodologias aplicadas em relação à escola Jairo de Almeida. Entretanto, no CEU ainda não existe um Projeto Político Pedagógico ¿ o que pode até ser algo positivo, ou seja, há a consciência de que o projeto está ¿em construção¿ (ao menos é esta a alegação da Coordenadora Pedagógica).
Numa reunião de Polo (dia em que todos os funcionários da escola assistem palestras e participam de discussões sugeridas pela Prefeitura de São Paulo), realizada dia 24/05/04, professores do Instituto Paulo Freire ministraram uma aula / dinâmica justamente sobre este tema, mas direcionado apenas a pais de alunos membros de conselhos escolares e para auxiliares de secretaria das escolas (que é minha situação profissional atual). Infelizmente, não parece haver espaço para uma participação efetiva dos pais, funcionários e alunos (quiçá, houvesse de todos os professores!), no começo da construção deste projeto, exceto que haja uma pressão externa por parte da própria sociedade, o que seria o ideal e pareceu ser a sugestão do Instituto Paulo Freire, ou haja essa ¿concessão de direito¿ por parte do próprio governo municipal.
Sem ter uma documentação local, consultei o projeto pedagógico geral conforme está incluso na PROPOSTA PARA O CEU, da Secretaria Municipal de Educação, 37 páginas, ano 2003. Trata-se de um xerox de livro que está disponível para consulta na sala de professores e cujo original foi entregue à diretora da unidade (havia o nome da diretora da Emef escrito a caneta). Logo no início há uma citação de Paulo Freire: ¿A escola é um centro irradiador de cultura à disposição da comunidade, não para ser consumida, mas para ser recriada (...)¿, depois também é citado Milton Santos, para respaldar ideia de uma ¿cidade educadora¿ e na definição do Projeto CEU é dito que sua arquitetura foi inspirada em Anísio Teixeira e Mário de Andrade, que teria posto em prática uma ¿praça de equipamentos¿ quando no Departamento de Cultura, que alternasse atividades intelectuais e práticas (artísticas, industriais e esportivas). Não é citado mas é notória a semelhança com o projeto CIEPS desenvolvido no Rio de Janeiro que, diferente do CEU, possuía período integral de aulas.
Repleta de fotos, projetos arquitetônicos e gráficos, o livro guia-se mais pelo marketing da obra do que por uma ¿proposta¿ pedagógica, mas contêm várias ideias que há muito tempo, e lentamente, estão sendo incorporadas ao conceito de escola (no caso do município de São Paulo, principalmente a partir da gestão Luiza Erundina). Entre estas, a autonomia do projeto pedagógico da instituição, adaptado às necessidades locais e a necessidade da escola integrar-se com seu em torno, o bairro, os vizinhos, os pais e alunos e todos aqueles que poderiam ser chamados a participarem ativamente da construção deste novo modelo de escola (na pág. 22 é sugerido convivência dos alunos com ¿pessoas da comunidade dentro do ambiente escolar¿ e até a promoção de ¿rodas de leituras¿ com relatos feitos pelos idosos para os mais jovens).
É claro que, na prática, a ¿união¿ e a ¿liberdade¿ só podem ser construídos por quem está do lado de dentro. Por ter um histórico de participação popular em seus problemas, este processo de abertura parece ser muito mais fácil de ocorrer na outra escola citada, a Jairo de Almeida. Entretanto, parece que não há uma política efetiva neste sentido ¿ curiosamente, na visão de alguns professores do Jairo, sua escola chega a ser mal visada pela Coordenadoria Local por agir em conjunto com a Sociedade de Amigos do Bairro. Já no CEU, apesar de todos os equipamentos disponíveis, parece haver uma ¿distância¿, até por sua beleza e sofisticação, para que a comunidade realmente sinta-se dona do espaço cultural e exija que ele funcione conforme o prometido, ou seja, não apenas um teatro, um clube e uma escola, mas um novo conceito de educação para os jovens e agregação da comunidade.
Lembramos que a evasão da suplência é ainda maior do que as dos jovens, até porque estes costumam ser acompanhados pelo Conselho Tutelar. Na página 5 deste documento é feita a promessa de ¿reverter em médio prazo a evasão e melhorar a qualidade de ensino de nossas escolas...¿, mas não há nenhum detalhamento em relação ao ensino supletivo ¿ simplesmente é dito que ele ocorrerá no período noturno para aqueles que não completaram o ensino obrigatório na idade regular.
Na discussão que acompanhei na sala de professores do CEU, sobre reclassificação de alunos, uma professora de ciências contestou o julgamento do professor de geografia, que queria classificar alunos para séries anteriores (o que é proibido pela legislação); ela argumentou que bastaria montar uma sala de reforço paralela, se possível ministrando uma aula a mais antes do horário e atividades extras durante os sábados, para corrigir dificuldades de leitura, escrita e interpretação de texto.
Ora, uma atuação como esta, que parece ser plenamente viável, já deveria estar sendo posta em prática desde o primeiro mês de aula, tendo com absoluta certeza um impacto tremendo na redução da evasão escolar. Mas sua proposta sequer foi anotada na Lauda da reunião. Ou seja, não há uma ¿política¿ para este assunto, e aqueles que estão dentro do processo não cobram algo efetivo neste sentido nas instâncias competentes. Talvez por julgarem que não serão atendidos?
posted by FABIO R |
20:13
continuação:
PROBLEMAS OBSERVADOS
Por parte dos professores há uma certa descrença no Poder Público, talvez devido ao descontentamento com a política salarial ou mesmo por falta de experiência com a ação política, de forma que não há empenho na cobrança de medidas que poderiam melhorar as condições da escola. Mesmo no CEU, onde os recursos disponíveis são relativamente superiores ao das outras escolas, alguns materiais didáticos e algumas medidas pedagógicas simples deviam ser solicitadas pelos educadores a fim de facilitar o sucesso de seu trabalho, mas não vi nenhuma organização dos docentes neste sentido. São frequentes as reclamações em relação à disciplina dos alunos, principalmente excesso de ruído e falta de cuidados com materiais didáticos, mas a única medida tomada pelos professores foi repassar esta reclamação para os pais dos alunos. Para os professores do EJA a reclamação mais constante é a falta de frequência de vários alunos.
Já os alunos da noite também reclamam da falta de frequência de alguns professores. Algumas salas ficaram sem aulas de química e matemática (no caso do CEU) durante meses, quase todo o período letivo do EJA, que é semestral. O mesmo problema foi observado no ensino regular, falta de professores e excesso de faltas, e os alunos têm consciência disto e reclamam, cada qual da sua maneira. Muitos fazem bagunça nas aulas vagas só parando quando ¿observados¿ pelo Inspetor de Alunos ¿ única autoridade, ao lado da Coordenadora Pedagógica, respeitada por eles.
Numa pesquisa que efetuei através de questionário escrito (ver anexo) com alunos de 5ª série regular observei que nenhum aluno se identificou como negro, preferindo ¿moreno¿ ou ¿pardo¿. Considero isto um sintoma da dificuldade em estabelecer uma identidade e auto afirmar-se, algo que merece ser discutido e favorecido pelo ambiente escolar e deveria constar num bom projeto pedagógico.
FAZER FUNCIONAR
Segundo Carlos Torres (2003), a primeira razão para não existir uma política educacional realmente comprometida com a alfabetização e formação (não necessariamente profissional) de adultos está na pobreza desta clientela e, em conseqüência, sua ¿fraca ou limitada (...) habilidade para manipular os serviços sociais do Estado¿. Ou seja, sendo o Estado o ¿provedor¿ de educação (ou, mais claramente, da ¿certificação¿ dos aprendizados dos educandos) e sendo a educação escolar um direito ¿subjetivo¿, mas não obrigatório para os adultos, os cidadãos precisam saber como cobrar este direito e garantir uma educação de qualidade para si próprios.
Por falta de conhecimento sobre a legislação e possíveis ações políticas, o eixo para construir um projeto escolar para a suplência está, com certeza, numa aliança da comunidade interessada com os professores.
Não por acaso, os movimentos de alfabetização, montados por Ong`s e Igrejas, sempre primaram por acompanhar a alfabetização de uma conscientização política. Torres cita o exemplo de Paulo Freire. Mas desde as experiência de Freire até hoje, por exemplo, com o Projeto MOVA da Prefeitura de São Paulo, o Estado tratou de se apropriar destes trabalhos, contendo uma possível ameaça ao status quo capitalista / liberal, na interpretação de Sílvio Gallo (1996); controlando o currículo e obrigando a certificação através das escolas convencionais.
Entretanto, existe dentro do próprio sistema escolar convencional mecanismos de manobra para a construção de um projeto escolar progressista, libertário e mais eficiente. Apesar de não podermos afirmar ser esta a melhor opção, é esta a proposta defendida, por exemplo, por Rosa Maria Torres (2001). No nosso caso, certas aberturas presentes na Constituição de 1988, a existência do Conselho de Escola, Associação de Pais e Mestres e (relativa) independência da Escola podem ser usados a favor de uma educação com mais qualidade. O mecanismo que pode permitir o início deste processo de renovação / abertura é o Projeto Político Pedagógico.
ENCAMINHAMENTO POSSÍVEL PARA O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO
Alguma força individual com algum nível de autoridade deverá se manifestar para fazer funcionar um verdadeiro Projeto Político Pedagógico ¿ autoridade não para mandar, mas para organizar. Creio que o ideal seria que tal organização não fosse imposta externamente, com a Coordenadoria / Delegacia de Educação local ou a Secretaria de Educação simplesmente ordenando que a escola convocasse os pais para realizar ¿sugestões¿ e ¿votações¿. Sim, os pais, professores, funcionários e até os alunos devem fazer sugestões e votações, mas apenas após aprenderem o que vem a ser Projeto Político Pedagógico, qual o real alcance de suas decisões, quais são os limites de ação e, com certeza, após discutirem e terem a oportunidade de construir este saber coletivamente.
Isso pode levar anos, por isso o primeiro ponto é saber ¿ para quando? Há a alternativa de criar um ¿projeto em progresso¿, definindo-se, por exemplo, a meta de 3 anos para se construir um Projeto válido por 4 anos e, antes disto, apresentar sucessivas versões ¿ensaio¿, para atuação imediata e análise dos resultados esperados e os efetivamente alcançados. Atualmente o Projeto deve ser apresentado anualmente pela escola, mas isso pode ser administrado utilizando-se manobras criativas.
Possivelmente a pessoa mais adequada para coordenar o processo de criação coletiva e democrática deste documento (que pode vir a ser muito importante) seria o Coordenador Pedagógico. Dependendo das condições de trabalho em sua escola, talvez ele não tivesse tempo hábil para isto, neste caso poderia ser escolhido um professor experiente, que tenha se preparado para guiar discussões envolvendo interesses de diferentes seguimentos e responder a dúvidas básicas. Este Coordenador de Discussões seria mediador de debates e promoveria a convocação de pais e alunos. A inspiração para sua atuação deve ser a atual legislação, que fornece certa autonomia às Unidades Escolares e suas Associações de Pais e Mestres.
Todos os pais que pudessem participar e garantissem presença pelo menos nas reuniões de fim de semana (acho que precisa haver reuniões também nos finais de semana) iriam formar grupos com todos os professores e alguns alunos, que não seriam selecionados apenas por seu rendimento escolar, mas por sua habilidade expressiva e seu interesse na discussão. Tanto os pais quanto os alunos participantes deveriam ficar responsáveis por recolherem sugestões e pesquisarem opiniões dos outros pais, alunos e membros da comunidade que não puderam participar dos debates. O Coordenador de Discussão iria formar grupos respeitando certa proporcionalidade no número de participantes ¿ professores, funcionários, pais e alunos. Sempre que possível estes participantes seriam encaminhados para cursos gratuitos (há alguns, nas prefeituras, faculdades, ong's) capazes de respalda-los para uma discussão sobre pedagogia, política, direito cívico, ação social e mesmo administração pública.
Parece óbvio que o Coordenador deve ser uma pessoa totalmente isenta de qualquer interesse capaz de interferir em seu julgamento, pois seu trabalho não seria direcionar o debate, nem criar ou sugerir algo aos grupos de discussão, mas simplesmente fornecer-lhes as informações necessárias para conscientiza-los do problema que deverão enfrentar e garantir a participação de todos através de uma supervisão atenciosa. Os mecanismos de análise do problema e criação de respostas com vistas a uma solução, o que deverá ser expresso também através de texto escrito, deverão ser desenvolvidos pelos grupos no próprio desenvolvimento das discussões. Tudo será completado e articulado nas reuniões gerais, com os debates decisórios e escolha de redatores competentes para a versões ensaio do que virá a ser o Projeto Político Pedagógico.
E.J.A.
O que esperamos ocorra, com o devido auxílio de especialistas em educação que deveriam ser os próprios professores, é que os próprios alunos do Ensino Supletivo Noturno e os grupos organizados (em geral, Ong' s) que promovem alfabetização, muitas vezes ligados ao sistema MOVA, no caso da prefeitura de São Paulo, tenham a oportunidade de refletirem sobre sua real condição e busquem no estudo em conjunto da Legislação Vigente sobre educação, na análise da situação de sua escola, assim como das outras da região e na discussão criativa com os outros seguimentos da Comunidade Escolar, encontrar caminhos para um sucesso coletivo.
Lembro que no projeto a que tive acesso a comunidade aparece descrita como uma ¿clientela¿, e o projeto geral para o CEU, repleto de sugestões, não esclarece a maneira como a comunidade escolar, em vez de ser ¿usuária¿, possa efetivamente participar da gestão de uma Escola, tenha ela recursos avançados (em lazer e cultura) como os Centros Educacionais Unificados, ou não tenha nada. E se não tem ¿ deveria ter? Para que? Onde procurar? Eis o que o povo deve aprender a decidir e descobrir como conseguir. Deve saber o essencial, como e com que objetivo poderão se educar para realmente alcançarem a plena cidadania.
posted by FABIO R |
20:09
3.8.04
O Harem
Uma amiga me perguntou
Se um homem pode amar várias mulheres
Pode
Aliás, pode amar todas as mulheres
Cada uma de uma maneira
Mas sempre tem uma diferente ¿ sempre há uma Sherazade no Gineceu
E então...
Ai, do homem que ama
Ele já não é mais senhor de sua casa
3-ago-2004 Fábio
citação, retirada de texto de isolda de araujo gunther: "a convicção dos jovens de que os adultos são contra eles reforça a fantasia correspondente dos adultos, de que os jovens são contra eles. erik erikson escreveu, em 1995:
" na juventude as regras da dependência infantil começam a cair. não é mais
o velho que ensina ao jovem o significado individual ou coletivo da vida. é
o jovem que, por meio de suas respostas e ações, diz ao adulto se a vida, da
maneira como é representada pelo idoso e representada pelo jovem, tem
significado. e é o jovem que carrega em si o poder de confirmar aqueles que
o confirmam, de renovar e dar nova vida, ou de reformar e de se rebelar. ""
o significado destas palavras é um tanto conflexo (para mim, pelo menos -
que não li os livros de erik), mas nos faz pensar...

posted by FABIO R |
14:33
Volto sempre aos sonhos - essa coisa tão fluida e tão consistente.
Minha mãe acordou no meio de uma noite, preocupada com minha irmã. Disse ter sonhado com meu pai (em 26 de agosto fara 3 anos de seu passamento, dia 23 seria seu aniversário). Poucos dias depois também sonhei com minha irmã, sonho confuso, fragmentário, em que diziam que a fernanda havia ido embora.
posted by FABIO R |
08:40
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